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desabafo

19 Maio, 2008

cacete, eu preciso falar disso em algum lugar. ¬¬ ninguém vem mais aqui mesmo. heauieuaheiuaheiauehui que ótimo. xD

tá, todo mundo já sabe que existe desigualdade social, e problemas ambientais, e blablabla, e também dominação cultural, que não costumo ver gente falando disso, mas eu penso o tempo todo feito um paranóico obsessivo. mas… puta merda, como isso acontece?! só vejo umas informações totalmente vagas e cheias de adjetivos, mas sem números, e faltam verbos e substantivos. ouquei, beibe, no pedaço de documentário que soltou meu surto dizia que 20% dos homo sapiens se esbaldam enquanto os 80% restantes sustentam o conjunto, ou só ficam de fora. ótimo. e daí? que eu faço com isso? dane-se quantos são de cada lado, só me interessa saber como mudar isso. se eu por acaso comprar um lindíssimo celular da nokia amanhã, eu sei que os reais que tô pagando vão ser divididos entre o dono da loja, os funcionários da loja, o gdf, o governo federal, o dono da fábrica, provavelmente em sp, o dono da nokia, os funcionários da fábrica, os caras que projetaram o tal celular, os que projetaram as máquinas pra fazer o celular, e etccccccccccccccccccccccccccccccc. muita gente. mas quanto cada um tá recebendo? quanto cada um merece receber? essa porcaria vale mesmo 300 reais? eu tô explorando quem? tô sendo explorado por quem? e o que acontece pra isso ser produzido, transportado e vendido? é levado de caminhão pra tudo quanto é lugar? como, deus, como eu fico sabendo dessas coisas? como, se 120% da humanidade (incluindo eu e meus miguxos, obviamente) tá mais preocupada em alugar um filme legal, comer um pãozinho de queijo, aprender a dirigir um poluente pra se sentir menos inútil ou parecer inteligente pra ser aceito no clubinho do bairro? daqui a pouco esse surto passa, e volto ao normal, é claro. talvez procure mais algum filme pra colocar na listinha. um japonês, provavelmente. nunca vi nenhum filme japonês, pra falar a verdade. mas tenho vontade. e também tem o canibal. anos que tô enrolando pra alugar. só tem naquela locadora que a gente sempre ia, mas nunca mais foi. ou talvez tem naquela outra, que é barata, procurei um dia e não achei, mas nem procurei direito. ou talvez alguém tinha alugado no dia.
êêê, passou! xD

o sentido da vida

20 Janeiro, 2008

há pouco tive uma iluminação divina e percebi que o sentido da vida é o desperdício. talvez depois eu faça um post explicando isso melhor. xD

pra começar bem e todo mundo ficar feliz, uma boa dose de perda de tempo. \o/

dia desses descobri um texto genialíssimo em inglês sobre um curta famosinho (abra esse link só depois de ler o texto. por favor.) e o traduzi mais ou menos (não consegui descobrir de quem é o texto original. mestre Yoda muito feliz vai ficar se você isso conseguir):

2 girls 1 cup

Na magnífica obra moderna 2girls1cup, o gênero feminista é reexaminado através de séries de reversões de expectativas. As ideologias prevalentes da nossa cultura são filtradas pela lente do gênero pornográfico – e, em verdadeira forma moderna – a obra tende a levantar mais questões do a que expor respostas.

A imagem de abertura, com o texto em stencil “MFX 1209” sugere um mal-entendido confuso – o 1209 parece algo como uma data, mas a estética do número o leva a uma associação futurista. Esta mistura de passado e futuro, misturada com a confusão da falsa sigla conduz a audiência para a confusão a vir.

A primeira imagem com as duas personagens principais (as quais, para este texto, vou considerar que são as “2girls” mencionadas no título) é aparentemente inócua – a interação multi-cultural e lésbica define a igualdade de direitos (sexual e racial) dentro do gênero da pornografia.

A trilha sonora suave acalenta a audiência, e a oportuna mas gradual mudança para a próxima cena em :11 passa geralmente despercebida pela audiência. Os olhos são imediatamente capturados pelo “Cup” (também presume-se que seja o mencionado no título), a inversão do falo e talvez um dos símbolos mais ocorrentes das espiritualidade e sexualidade femininas na antiguidade.

O suave concerto de piano continua enquanto o copo é repentinamente e ironicamente cheio com um bolo de matéria fecal do ânus da nossa personagem principal. Dessa forma, a natureza machista e depreciativa do gênero pornográfico retorna de uma maneira surpreendente e explosiva. O bolo fecal “penetra” o cálice sagrado, o que levanta muitas questões interessantes. Muitas dessas questões são pertinentes à sexualidade lésbica – é possível o amor entre mulheres sem o grotesco masculino? Será o gênero pornográfico fadado a existir apenas dentro de atos humilhantes, mesmo quando os únicos participantes são inócuas 2 garotas, e 1 copo? A imagem posterior das duas personagens tentando beijar através das fezes do grotesco masculino (assim como as fezes literais) apenas fortalece esse tema.

Os movimentos de língua excitados mas hesitantes sugerem uma certa apreensão das personagens principais, mas em :25, qualquer esperança de redenção é perdida. A transição das lambidas descomprometidas para o total consumo fecal acontece tão repentinamente quanto a transição para o ato original de defecação – porque estes momentos cruciais acontecem por detrás das câmeras? Não há diálogo dramático, e nenhuma das personagens dá voz aos grandes conflitos internos que certamente precedem a decisão de consumir fezes de outrem. Este ponto crucial é internalizado em ambas as personagens, e consequentemente ocultado da percepção da audiência.

Esta noção de confusão evolui em uma diluição e contaminação dos tipos em :40, quando o vômito do nojo começa a obscurecer até as fezes originais da obra. Não significa nada que a personagem secundária não vomita no copo (enquanto a personagem original o faz), mas vomita diretamente na outra mulher. Isso reforça ainda mais a idéia da relação lésbica masculina invasora – teria uma mulher o monopólio da taça feminina, enquanto a outra se torna masculina, e faz o papel do opressor quando simbolicamente vomita em sua amante ajoelhada? Mesmo esta noção é incerta na confusão de gênero pós moderna, assim que os papéis são invertidos e a boca da outra recebe o vômito como em resposta.

É difícil ver esta obra em qualquer maneira construtiva, como é evidenciado pela imagem final da peça. As personagens se apresentam para a audiência, quebrando efetivamente a quarta barreira. As tentativas de desembaraçar o caos temático do gênero para encontrar uma sentença são refletidas na desordem física das fezes das personagens. Esperemos que com um melhor exame de obras como 2girls1cup sejamos capazes de quebrar várias das estruturas ideológicas opressoras que são mantidas por forças sociais, restrições de gênero, e nossa própria percepção da realidade.